Quanto tempo a bateria dura na falta de luz depende de duas coisas ao mesmo tempo: quanta energia útil ela guardou e quanto os aparelhos ligados estão puxando naquela hora. A conta é uma divisão simples, e o que mais pesa nela não é o tamanho do banco de baterias: é a lista de circuitos que vai continuar funcionando.
Abaixo está a conta, os números dos equipamentos que a E2 instala e o que a distribuidora exige.
A conta que dá a resposta
As horas saem de uma divisão: a energia útil guardada na bateria, dividida pela potência média do que estiver ligado naquele momento.
Vale olhar o equipamento. A linha de baterias da WEG, que é a que a E2 instala, tem dois módulos: o SBW CB050, com 5,02 kWh utilizáveis, e o SBW CB100, com 10,07 kWh. Numa casa que mantém só o essencial ligado, o mesmo módulo tende a durar bem mais. Por isso um número fechado, dado antes de olhar a sua casa, é chute.
A bateria também serve para guardar de dia a energia que o sol gerou e usar de noite, que é outra função e tem outra conta. Ela está em vale a pena instalar bateria.
A mesma bateria tem três números de capacidade
O primeiro é a energia nominal, o número do rótulo: 5,18 kWh no CB050 e 10,36 kWh no CB100. O segundo é a energia utilizável, que já desconta a profundidade de descarga declarada pelo fabricante, de 90%: são os 5,02 e 10,07 kWh. O terceiro é o que entra numa estimativa séria, e tira mais uma folga para as perdas do sistema e para a reserva que fica guardada. Essa última é critério da E2, não do fabricante.
Duas propostas podem prometer horas diferentes com a mesma bateria, só porque uma dividiu o número cheio e a outra dividiu o número real.
O que fica ligado na reserva, e o que fica de fora
A instalação é dividida em dois grupos, e só um é projetado para continuar funcionando durante a falta. Os circuitos escolhidos vão para um quadro próprio, e separá-los é serviço de obra, com custo e tempo dentro do projeto.
Costumam entrar iluminação, geladeira, freezer, internet, câmeras, portão, interfone, alarme e carregadores de celular e notebook. Entram com cuidado a TV, o computador de mesa, a bomba d’água, o micro-ondas, o pressurizador e um ar-condicionado de quarto, que puxam mais ou têm pico de partida forte. Ficam de fora o chuveiro elétrico, a torneira elétrica, o forno, a secadora, a lava-louças, os ar-condicionados maiores e o carregador de carro elétrico.
Qual dessas listas o seu projeto adota muda a resposta mais do que o tamanho do banco.
Mais bateria aumenta o tempo, não a potência
Acrescentar bateria estica as horas. Não aumenta um watt do que se pode ligar ao mesmo tempo.
Dá para crescer: a folha da WEG permite até quatro módulos em paralelo, o que leva o banco a 20,8 kWh com os CB050 ou 41,6 kWh com os CB100. Mas quem limita a potência simultânea é a saída de reserva do inversor híbrido, e esse teto não muda com o tamanho do banco. Na linha que a E2 instala são o SIW200H, monofásico, e o SIW400H, trifásico, cada modelo com o seu limite declarado.
É por isso que o chuveiro elétrico pode não ligar com duas baterias nem com quatro. Motores e compressores complicam mais, porque puxam várias vezes a potência nominal na partida, e é esse pico que decide se a carga cabe. Passar do teto pode derrubar a saída de reserva inteira, e aí cai junto a geladeira, a luz e a internet.
Por isso uma promessa séria vem com dois limites juntos: estes circuitos, e dentro deste limite de potência simultânea. Nunca a casa inteira.
O sol recarrega a bateria durante a falta?
Depende do arranjo, e essa é a parte que mais surpreende quem já tem placas.
Quando os painéis estão ligados no mesmo equipamento das baterias, eles tendem a continuar recarregando durante a falta, e as horas se esticam enquanto houver sol. Quando a bateria é acrescentada a uma usina que já existe, a usina para de gerar no momento em que a rede cai, por exigência da proteção que impede a instalação de energizar a rede da rua. Aí quem sustenta os circuitos escolhidos são as baterias sozinhas, num ciclo único: elas entregam o que guardaram e só voltam a encher quando a rede voltar.
Se você já tem placas, essa diferença muda a conta inteira e precisa estar escrita na proposta.
O que a distribuidora exige quando há bateria no projeto
Circula a ideia de que a norma proibiria a casa de se manter ligada na própria energia. Ela não proíbe. A norma de geração distribuída da distribuidora trata a operação em ilha de forma expressa e a condiciona a uma exigência técnica: durante a falta, a proteção precisa garantir a desconexão física entre a rede da rua e a instalação interna, e é vedado conectar ao sistema da distribuidora enquanto o fornecimento estiver interrompido. Feita essa separação, os circuitos de reserva voltam sozinhos, em menos de 20 milésimos de segundo pela folha do equipamento.
Na prática isso vira projeto, não improviso. Quando o sistema prevê bateria conectada à rede, a norma pede que o memorial descritivo traga as tabelas das seções 6.1 e 6.2 da ABNT NBR 17153 e o ensaio de durabilidade das baterias, e que antes da conexão seja enviado um relatório de comissionamento assinado por responsável técnico habilitado. Inversor e bateria também precisam de registro do INMETRO pela Portaria 140/2022, e os modelos da linha WEG têm o seu.
A autonomia de hoje é a mesma daqui a alguns anos?
Não. A capacidade cai com o tempo de uso, e a mesma lista de circuitos tende a durar menos daqui a alguns anos. A folha da WEG declara vida útil de 6.000 ciclos, medida a 25 graus, com 70% de saúde restante e descarga de 90%.
O lugar onde a bateria fica também entra na conta. O módulo tem grau de proteção IP65 e pode ser instalado dentro ou fora, no piso ou na parede, com faixa declarada de 0 a 55 graus para carga. Mas área de serviço fechada ou garagem sob telha metálica tendem a envelhecer o equipamento mais rápido. O peso também entra, com 50,5 kg no CB050 e 99 kg no CB100.
Perguntas rápidas
Dá para começar com menos bateria e ampliar depois?
Dá, dentro do limite de quatro módulos em paralelo, e precisa estar previsto desde o primeiro desenho, para não virar obra nova. Acrescentar bateria a um banco que já rodou é ponto a confirmar com o fabricante, inclusive quanto à garantia das duas.
Dá para carregar as baterias antes de uma falta prevista?
Sim, é configuração do próprio equipamento. Quanto maior o banco, mais tempo leva para recompor a reserva depois de uma falta, porque quem limita é a corrente de carga do equipamento.
Preciso de bateria ou preciso de mais placas?
São problemas diferentes. Placa resolve conta de luz; bateria resolve falta de luz e uso da energia em outro horário. Se a dúvida é de tamanho da geração, ela está em quantas placas solares.
Como a E2 pode ajudar?
A E2 Soluções é uma empresa de engenharia elétrica em Brasília e atende do começo ao fim: visita técnica, simulação, projeto, ART com engenheiro responsável registrado no CREA, equipamento, estrutura, mão de obra, homologação junto à distribuidora quando for o caso e acompanhamento pós-venda. Veja o que entra num sistema com bateria.
A casa trabalha com a linha WEG citada aqui: os inversores híbridos SIW200H e SIW400H e as baterias SBW CB050 e CB100. O termo de garantia vigente da WEG dá 7 anos aos inversores e 5 anos às baterias. Trabalhar com uma linha definida é o que permite dizer qual número entra na sua conta, em vez de falar de bateria em geral.
O ponto de partida muda conforme quem está lendo:
- Quem já tem placas: a visita mostra se o seu arranjo recarrega durante a falta, que é o que decide se o acréscimo de bateria entrega o que você espera.
- Quem vai instalar do zero: projetar geração e reserva juntas evita o retrabalho de separar o quadro depois, com a obra pronta.
- Quem quer só reserva, sem solar: a conta é a da lista de circuitos, e ela se levanta na mesma visita.
O levantamento é circuito por circuito, com a potência lida na etiqueta ou medida no local. Geladeira e freezer merecem atenção: não puxam a potência da etiqueta o tempo todo, e tratá-los como carga contínua é erro comum de estimativa caseira.
A visita técnica, o orçamento e o estudo de viabilidade são gratuitos. A análise energética é um serviço pago, com documento próprio, e é ela que transforma a estimativa deste texto no número da sua casa.
Fontes: folha de dados WEG do sistema de baterias SBW CB050 e CB100 W00; folhas dos inversores híbridos WEG SIW200H e SIW400H; termo de garantia WEG vigente; norma de geração distribuída da Neoenergia Brasília, itens 7.8.2.1 e 7.8.2.3 e os requisitos de sistemas de armazenamento; ABNT NBR 17153 e ABNT NBR 16149; e Portaria INMETRO 140/2022. Especificação de fabricante pode mudar sem aviso, e cada casa exige levantamento no local.
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