Quantos carregadores de carro elétrico o meu prédio aguenta?

Torres residenciais vistas de baixo, em dia claro

Quantos carregadores o prédio aguenta não se resolve contando vagas. A resposta está na capacidade de carga que sobra na entrada de energia do prédio. A garagem pode ter duzentas vagas: se a entrada já estiver no limite, não entra carregador nenhum sem mexer nela.

E o número muda quando existe gerenciamento de carga. Abaixo está o que define a resposta, na ordem em que um engenheiro olha.

Quantos carregadores o prédio aguenta é uma conta de carga, não de vagas

Todo prédio tem um limite de quanta energia pode puxar da rede ao mesmo tempo. Quem segura esse limite é o disjuntor geral, na entrada. Tudo o que liga no prédio divide esse mesmo espaço: elevador, bomba, iluminação, os apartamentos e, agora, os carregadores.

O que torna o carregador diferente dos outros aparelhos é o tempo que ele fica ligado. Um chuveiro puxa muito, mas por dez minutos. O elevador sobe e para. A bomba enche a caixa e desliga. O carregador fica puxando quase tudo o que pode por várias horas seguidas, e quase sempre no mesmo horário, quando os moradores chegam em casa. Na hora de somar, ele conta cheio.

É por isso que dois prédios com o mesmo número de vagas chegam a respostas diferentes. O que separa os dois não é a garagem: é quanta carga cada um já usa e quanta folga sobra na entrada.

De onde sai a energia dos carregadores

São dois caminhos, e os dois começam na entrada de energia do prédio.

O primeiro é uma medição nova, exclusiva da recarga. O prédio ganha um segundo relógio, só dos carregadores, com conta separada. É o caminho que usamos nos projetos de condomínio: o consumo da recarga não se mistura com o da área comum, e o rateio fica simples de explicar em assembleia.

O segundo é usar a medição de serviço do condomínio, a mesma que já alimenta elevador, bomba e iluminação. Funciona quando existe folga sobrando ali, e dispensa a obra de uma medição nova.

Qual dos dois serve ao seu prédio é a medição que diz. E nos dois a recarga nasce depois de um medidor: energia que corre sem medição se qualifica como furto, e isso não entra em projeto nenhum.

Por que o projeto elétrico do prédio não responde sozinho

O projeto do prédio traz um número de carga calculado, e é tentador usar esse número para dizer que não cabe mais nada. Ele não responde sozinho, e por dois motivos que puxam para lados opostos.

O primeiro é que o cálculo é conservador de propósito. Ele soma situações que quase nunca acontecem juntas e costuma trazer uma linha de reserva, que é folga deliberada. Em um laudo de medição de prédio residencial, o cálculo de projeto apontava cerca de 159 kW para os apartamentos, e oito dias de medição encontraram cerca de 33 kW. É um caso, não uma regra.

O segundo motivo puxa para o outro lado, e costuma ser esquecido. O projeto é uma fotografia do dia em que o prédio foi entregue. Desde então entrou ar-condicionado em apartamento que não tinha, chuveiro mais potente, bomba nova, portão automático, câmera, academia, carregador de patinete. A carga real de um prédio de trinta anos não é a do projeto dele, e muitas vezes é bem maior.

Ou seja: o papel não prova que cabe nem prova que não cabe. Quem responde é a medição.

Como se mede a folga de um prédio

Um analisador de energia é ligado no quadro, com um sensor de corrente em cada fase, e grava dia e noite por alguns dias. Pode rodar em mais de um ponto do prédio, um de cada vez, para comparar de onde valeria mais a pena tirar a energia.

O laudo olha para o pior momento do período. Ele responde:

  • quanta corrente o prédio puxa em cada fase, com data e hora dos maiores valores;
  • os horários de maior e de menor carga;
  • quanta folga ainda existe até o disjuntor geral, na fase mais carregada;
  • se as três fases estão equilibradas entre si;
  • quanto dessa folga poderia ir para a recarga, com e sem gerenciamento.

Uma ressalva acompanha qualquer medição: ela retrata o período medido. Ampliação ou mudança de uso pede nova avaliação.

Dá para um ponto por morador?

É a pergunta que aparece em toda assembleia, e ela tem dois lados.

Do lado da obra existe o caminho da garagem preparada. O condomínio faz a infraestrutura comum uma vez só, com o quadro geral, o percurso de cabos pela garagem e um espaço reservado por unidade. A estação vem depois, com o morador que decidir instalar. Do lado da energia, a resposta continua vindo da medição: sem gerenciamento cada ponto precisa caber pela potência cheia dele, e com gerenciamento o mesmo prédio comporta bem mais pontos.

O que transforma essa obra em política do condomínio é o projeto padrão. Sem padrão, cada instalação sai com cabo, proteção e qualidade diferentes, e o condomínio perde o controle do que está pendurado na garagem dele. O projeto padrão só dispensa projeto individual se a assembleia o adotar como regra da garagem. O caminho completo está em como instalar carregador de carro elétrico em prédio.

O que o gerenciamento de carga faz, e o que ele não faz

É um equipamento instalado no quadro dos carregadores. Ele mede a corrente que o prédio está puxando naquele instante e diz a cada estação quanto ela pode usar. Quando muita gente carrega ao mesmo tempo, ele divide o que existe em vez de deixar o disjuntor geral desarmar.

Existe um piso, de 6 A por fase, e o motivo é normativo. A norma internacional que rege a conversa entre estação e veículo não permite comandar uma estação de corrente alternada abaixo desse valor, porque o degrau seguinte seria zero e a recarga terminaria. Quantas estações cabem ao mesmo tempo nesse piso é o que a análise energética de cada prédio define.

O sistema não depende de internet para equilibrar a carga: o equipamento fica dentro do quadro do prédio. A internet serve ao cadastro dos cartões e ao acompanhamento do consumo. Se o sistema perder contato com uma estação, ela cai para a potência mínima ou desliga. Nunca sobe para a máxima.

E aqui vai o limite que precisa ficar claro: o gerenciamento cuida de quanta energia cada estação usa. Ele não é proteção elétrica. Disjuntor, DR e o desligamento de emergência continuam sendo peças próprias, e o dimensionamento correto de cabos e proteções continua obrigatório.

Quando a distribuidora entra na conversa

Sempre que a carga do prédio muda, a distribuidora precisa saber, e os carregadores entram declarados no pedido. Vale tanto para a medição nova quanto para o aumento de carga da medição que já existe.

Três coisas que o síndico deve levar em conta antes de marcar a assembleia:

  • o aumento de carga é gratuito até um certo tamanho; acima dele, um eventual reforço na rede pode ter custo para quem pede;
  • existe um teto de carga instalada para a ligação continuar em baixa tensão, que é a faixa onde quase todo condomínio está. Somando a potência de placa das estações, cerca de dez carregadores de tamanho comum já chegam perto desse teto;
  • se o prédio passar do teto, a ligação muda de tipo e o contrato de energia muda junto. Não é impeditivo, mas é decisão de outra ordem, e entra na conta antes da obra.

Uma pergunta segue em aberto e nós a fazemos por escrito em cada projeto: se o gerenciamento de carga limita o que as estações podem puxar, a distribuidora aceita considerar essa carga limitada no lugar da soma das potências de placa? A resposta muda o teto, e ela é da distribuidora, não nossa.

Perguntas rápidas

Quantos carregadores cabem em um prédio de 100 apartamentos?

Não dá para responder pelo número de apartamentos. Dois prédios de 100 unidades podem ter folgas muito diferentes na entrada, dependendo do que já está ligado neles. O que define é a corrente medida, o disjuntor geral, o equilíbrio entre as fases e a existência ou não de gerenciamento de carga. A medição responde em alguns dias.

Vai ser preciso mexer na entrada de energia do prédio?

Depende da folga que a medição encontrar e do número de pontos que o condomínio quiser. Com folga e com gerenciamento, muitos prédios começam sem obra na entrada. Sem folga, os caminhos são uma medição nova para a recarga ou o aumento de carga da que já existe, e os dois passam pela distribuidora.

O gerenciamento de carga resolve tudo?

Ele resolve a parte da convivência: faz caber mais pontos no mesmo prédio e evita que o disjuntor geral desarme quando muita gente carrega junto. O que ele não faz é proteger a instalação nem aumentar a energia disponível. Se o prédio não tem folga nenhuma, o gerenciamento não cria folga.

Como a E2 pode ajudar?

A E2 Soluções trabalha com condomínios e empresas no Distrito Federal, e o escopo sai inteiro: visita técnica, simulação, projeto, ART com engenheiro responsável registrado no CREA-DF, equipamento, estrutura, mão de obra, homologação junto à distribuidora e acompanhamento pós-venda. Veja o que entregamos em estações de recarga para empresas, condomínios e frotas.

A resposta de quantos pontos o seu prédio suporta começa pela análise energética, que é um serviço pago e tem documento próprio. Ela pode ser contratada antes, à parte, só para o condomínio saber o que cabe; e se depois vier a instalação, o valor pago por ela é abatido integralmente do investimento. Se a conversa esbarrar em leitura de fatura e contrato de energia, como entender a sua conta de luz resolve isso sem sair daqui. Visita técnica, orçamento e estudo de viabilidade são gratuitos.

Fontes: Neoenergia Brasília, DIS-NOR-030 rev. 07, para a declaração da estação de recarga no pedido de carga, e NTD 6.07, 3ª edição de dezembro de 2014, para prédios de várias unidades no Distrito Federal; Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021, para a gratuidade do aumento de carga e os limites da baixa tensão; ABNT NBR 17019, para a instalação de alimentação de veículos elétricos; a norma internacional IEC 61851 e a documentação técnica do fabricante do sistema de gerenciamento, para o piso de 6 A por fase; e medições de campo da própria equipe. Cada prédio exige medição no local. Foto da capa: Mateusmatsuda, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Quer saber quantos pontos de recarga o seu prédio suporta?
Agende uma visita técnica gratuita no condomínio.

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