Como instalar carregador de carro elétrico em prédio?

Duas estações de recarga na parede de uma garagem de prédio, com duas vagas demarcadas

Instalar carregador de carro elétrico em prédio começa por uma visita técnica e termina com o sistema testado e entregue. Entre as duas pontas existe uma ordem que não se inverte: proposta, aprovação em assembleia, análise energética, projeto com ART, obra e entrega.

A maior parte dos prédios não sabe quanta carga tem sobrando, e sem essa resposta a proposta trabalha com estimativa. Por isso a análise energética pode ser contratada antes, à parte, só para medir a disponibilidade e mostrar o que cabe na instalação que o prédio já tem. Nesse caminho ela vem primeiro, e é ela que orienta a proposta da estação de recarga.

Quem conduz o processo é o condomínio. Abaixo está o caminho inteiro, na ordem em que ele acontece de verdade.

Se você chegou aqui procurando instalar o seu carregador por conta própria, na sua vaga, o caminho é outro. Instalação individual, uma vaga de cada vez, é o que se evita em prédio. Cada ponto sai de um jeito, ninguém controla quanto o conjunto puxa da rede, e depois não fica claro quem responde pelo que foi feito. A energia que chega até a vaga atravessa área comum, e é por isso que a decisão passa pelo condomínio.

Carregador de carro elétrico em prédio: a ordem das etapas

São sete tempos. Visita técnica. Proposta. Aprovação em assembleia e assinatura do contrato. Análise energética, que é a medição da carga no prédio. Projeto com ART e compra dos equipamentos, que correm juntos depois da medição. Obra. Testes, ligação e entrega do sistema.

Guardar essa sequência ajuda o síndico em duas coisas: cobrar o que é devido em cada momento e desconfiar de quem propõe pular etapa. Uma proposta fechada sem que ninguém tenha entrado na garagem carrega margem de erro, e o conselho precisa saber disso na hora de comparar orçamentos. A lógica é a mesma de qualquer obra elétrica bem conduzida, como explicamos em quando é preciso projeto elétrico.

Por que a análise energética vem antes de comprar equipamento

Porque nada se compra antes de medir. A análise energética é uma fase contratada, com relatório escrito, e pode vir por dois caminhos: antes da proposta, contratada à parte para mostrar a disponibilidade do prédio, ou dentro do escopo da instalação, depois do contrato assinado. Nos dois casos ela vem antes de qualquer equipamento ser pedido.

A medição é simples de entender. Um analisador de energia fica alguns dias ligado no quadro, anotando a corrente de cada fase, de dia e de noite. O que interessa é o pior momento do período, e não a média. O relatório mostra quanta margem ainda existe até o disjuntor e como as fases estão equilibradas.

A medição pode rodar em mais de um ponto do prédio, para comparar de onde valeria mais a pena tirar a energia. E ela retrata o período medido: ampliação ou mudança de uso pede nova avaliação.

De onde sai a energia que alimenta os carregadores?

De um ponto escolhido pela medição, e sempre depois de um medidor. Nem toda recarga nasce no quadro de serviço do condomínio. Quando esse quadro não tem capacidade sobrando, o projeto procura outro ponto do prédio com mais energia disponível, e é a análise energética que mostra qual.

A regra que não muda é a do medidor. A recarga nasce sempre depois dele, para o consumo não correr sem medição e não se qualificar como furto de energia. Em alguns prédios a saída pode ser uma medição nova, exclusiva da recarga, que entra com prazo próprio de aprovação e vistoria da distribuidora.

Estação coletiva ou garagem preparada?

São dois caminhos, e a escolha é do condomínio.

No primeiro, o prédio compra a estação, e as vagas atendidas por ela passam a ser rotativas, com acesso por cartão. Quantas estações e quantas vagas entram depende das vagas que a garagem tem e do modelo escolhido: pode ser uma estação para uma vaga, uma estação de duas saídas atendendo duas vagas, ou mais de uma estação. Os cartões são distribuídos pela administração conforme a adesão. Serve bem a quem quer começar com pouca obra e atender o prédio inteiro desde o primeiro dia.

No segundo, chamado de garagem preparada, o condomínio leva a infraestrutura uma vez só para o prédio todo. Cada apartamento fica com um ponto reservado e identificado no quadro, e cada morador compra e instala a sua estação de parede quando decidir, seguindo um projeto padrão. Assim o prédio não abre uma obra nova a cada pedido. Até o morador instalar, nada fica ligado esperando: a proteção fica reservada no quadro, sem cabo nem energia chegando à vaga.

A garagem preparada sempre leva alguma obra civil. Onde a obra abrir parede, piso ou forro, a E2 recompõe o trecho: reboco, nivelamento, reposição do revestimento retirado quando houver material e pintura de retoque. O acabamento estético além dessa recomposição é tratado na proposta, item a item.

O que precisa passar pela assembleia

A obra em área comum. Qualquer proposta de recarga em condomínio começa por aí, e não é formalidade. Mesmo quando o circuito sai do medidor de uma unidade, o cabo atravessa área comum, e a rede geral de eletricidade do prédio é parte comum pelo Código Civil (art. 1.331, §2º).

Além da obra, costuma valer a pena decidir mais duas coisas na mesma assembleia: adotar o projeto padrão como regra da garagem e fixar em regulamento que só entram estações compatíveis com o sistema do prédio. De preferência antes da primeira instalação, porque estação incompatível não consegue ser controlada.

Adotado o padrão, quem decidir instalar depois não precisa voltar à assembleia nem contratar projeto elétrico próprio. Compra a estação entre os modelos aceitos, contrata a instalação do quadro até a vaga e avisa o condomínio para o cadastro. Quórum, alteração de convenção e redação de cláusula são matéria de advogado inscrito na OAB, e quem responde isso é o jurídico do condomínio.

Como é a obra, e o condomínio para?

A obra é feita por trechos, combinados com a administração. Um trecho da garagem fica ocupado por vez, por cerca de uma hora, e é devolvido assim que aquele pedaço termina, para o prédio seguir funcionando durante a instalação.

Antes de a primeira furadeira ligar, o traçado é compatibilizado com incêndio, gás, ventilação e rotas de saída. No DF não existe norma técnica do Corpo de Bombeiros específica para estação de recarga. A NT 01/2016 permite classificar por similaridade o que não está previsto e exigir medidas caso a caso, na análise do projeto. Ninguém consegue garantir de antemão que nada será pedido, e é por isso que a compatibilização entra no projeto, antes da obra.

No fim, o sistema inteiro é testado, os cartões são cadastrados e o condomínio recebe a documentação: desenho atualizado da instalação, relatório da análise energética, laudo dos testes de ligação, instruções de operação e, na garagem preparada, o projeto padrão do condômino.

O que reunir antes de pedir orçamento

Alguns documentos adiantam a conversa:

  • os projetos elétricos do prédio;
  • o laudo do SPDA, o sistema de proteção contra descargas atmosféricas;
  • a análise energética, se o prédio já tiver feito uma;
  • o prontuário de instalações elétricas, se houver;
  • e o que mais existir de documentação técnica da instalação, como o desenho dos quadros e circuitos.

Fora os papéis, o síndico ganha tempo se souber de cabeça:

  • quantos apartamentos o prédio tem;
  • quantas vagas existem, e se são privativas ou rotativas;
  • quantos pavimentos de garagem há, e como as vagas se dividem entre eles;
  • onde fica o medidor da área comum;
  • se já houve assembleia ou regra no regimento sobre carregadores;
  • se existe internet ativa na sala dos quadros.

O número de apartamentos define os pontos reservados, os cartões e as proteções. Sem ele a proposta não fecha. Já a internet é a tarefa do condomínio que precisa começar mais cedo, porque o prazo é do provedor.

Perguntas rápidas

O morador pode instalar o carregador por conta própria na vaga dele?

A obra que leva energia até a vaga mexe em área comum, então a decisão passa pelo condomínio. Depois que a assembleia aprova a obra e adota o projeto padrão, quem quiser instalar não precisa voltar à assembleia: compra a estação entre os modelos aceitos, contrata a instalação do quadro até a vaga e avisa o condomínio para o cadastro.

Quem paga a energia usada na recarga?

Quem carregou. O Código Civil, no art. 1.340, diz que a despesa de parte comum de uso exclusivo cabe a quem se serve dela, e é essa a base para cobrar só de quem usa. O sistema registra quanto cada estação de recarga consumiu, e a forma do repasse é decisão da assembleia.

Precisa de aprovação do Corpo de Bombeiros?

No DF não existe norma técnica do CBMDF específica sobre estação de recarga. A NT 01/2016 permite classificar por similaridade o que não está previsto e exigir o que for necessário na análise de cada projeto. O que será pedido no seu prédio depende dessa análise.

Dá para preparar a garagem agora e instalar as estações depois?

Sim, é o caminho da garagem preparada. A obra comum sai uma vez, e cada apartamento fica com um ponto reservado no quadro. A estação de parede vem depois, com o morador que decidir instalar. Se o condomínio também estuda gerar a própria energia, vale ler energia solar na empresa: quando vale a pena, porque condomínio é pessoa jurídica e entra na mesma conta.

Como a E2 pode ajudar?

A E2 Soluções é uma empresa de engenharia elétrica em Brasília e atende o condomínio do começo ao fim: visita técnica, simulação, projeto, ART com engenheiro responsável registrado no CREA-DF, equipamento, estrutura, mão de obra, homologação junto à distribuidora quando for o caso e acompanhamento pós-venda. Veja o que entregamos em estações de recarga para empresas, condomínios e frotas.

A visita técnica, o orçamento e o estudo de viabilidade são gratuitos. A análise energética é um serviço pago, com documento próprio, e na proposta de recarga ela entra dentro do preço, como primeira etapa do cronograma. Se o condomínio contratar antes a proposta de análise energética, o valor pago por ela é abatido integralmente do investimento da recarga.

Fontes: Código Civil, arts. 1.331, §2º e 1.340; Neoenergia Brasília, NTD 6.07, 3ª edição de dezembro de 2014, para prédios de várias unidades no Distrito Federal; Norma Técnica 01/2016 do CBMDF, itens 5.2 e 5.12; e o processo de engenharia da própria equipe. Cada prédio exige medição no local.

Quer levar carregadores para a garagem do seu prédio?
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